quarta-feira, 15 de agosto de 2012

E eu me canso, fico exausta, imploro atenção pro mundo. Choro pra Deus, torço pela capacidade de não existir só um pouquinho. Me abraço bem apertado como se, quem sabe, pudesse ficar tão pequena e, de repente, numa explosão, a vida vira um fiozinho meio prateado e escorre sem rumo pelo chão.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Das coisas que não podem ser nomeadas

"Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.
(...)Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre."

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Você foi embora, todos crescem e eu permaneço como sempre, com essa vontade camuflada em medo de que a vida me engula. Embora nossas casas estejam lotadas e apesar de todo o riso e festas, continuo sendo aquela que tem que se esconder no banheiro pra chorar porque a vida sufoca demais. Ainda te procuro entre uma gargalhada e outra porque as coisas felizes não fazem sentido se eu não puder compartilhar com você. E fico me perguntando se é alguma espécie de castigo sentir tanta falta de deitar abraçado e ganhar um beijo na testa, porque todo mundo diz que vai passar, mas não passa nunca.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Finito, simples e triste

Você foi e levou consigo toda minha vontade. Vontade de vida, de alegria, de sonhos, de esperança. A parte de nós mim que ainda possuo permanece vulnerável o tempo todo. Porque o caos que me movia não existe. Porque nós somos um ponto final sem fim. A única incerteza que me resta é "E se ele ainda estivesse aqui?".